Servidor decênio do MPT-MA registra sua trajetória de 30 anos no Ministério Público do Trabalho em uma crônica de homenagem
(29/10/2025) - O servidor decênio do MPT-MA, Camilo Fernandes Leite, lotado na Polícia Institucional do MPT-MA (SSI), elaborou uma crônica registrando os seus 30 anos de serviço público no Ministério Público do Trabalho no Maranhão. O texto foi recitado na última terça-feira (28), no evento “Dia da Servidora e Servidor Público no MPT-MA”, como forma de homenagear e compartilhar toda a sua trajetória, destacando momentos simbólicos e afetivos ao longo de três décadas, emocionando a todos na plateia.
Confira, abaixo, a crônica completa:
Meus trinta anos de MPT
No dia 20 de janeiro de 1995, este servidor que vos fala iniciava a sua trajetória no MPT, aos 26 anos. Já se vão 30 anos, mais da metade da minha vida. Hoje tenho mais tempo com MPT do que sem MPT e esse romance eu espero que, como diz o poeta, seja eterno enquanto dure.
Tenho muitas lembranças boas, nesses trinta anos, outras nem tão boas, mas guardo todas elas no coração.
Esta saga iniciou-se na Rua do Alecrim, centro histórico de São Luís. Foi uma fase que considero a mais romântica. Eu era jovem, idealista, sonhava com um mundo de paz, mas já tinha que alimentar, com a ajuda da minha esposa, nossos dois filhos pequenos: um com dois anos e outro com três meses. Foi uma época boa, a gente pegava o ônibus na Praça Deodoro e tinha um “point” para as nossas resenhas de final de expediente: o “Bar do Jósimo”, que ficava bem próximo. O local era o típico boteco de esquina, que não oferecia nada de especial, mas atraía a turma para uma cerveja gelada e um bate-papo alegre e descontraído.
No ano de 1998 mudamos para o São Francisco, na Av. Castelo Branco, saímos do romantismo do centro histórico para a agitação da parte mais jovem e moderna da cidade. Essa fase foi marcada pela chegada de novos membros e servidores e o nosso órgão ficando cada vez mais conhecido pela sociedade. Nesse período as opções de lazer se multiplicaram, mas uma ficou marcada: o Espaço Aberto que ficava relativamente próximo e era destino dos amantes do “reggae”, ou seja, todos nós.
Depois, em 2006, mudamos para a sede do Jaracati, inclusive costumo dizer que essa foi a sede mais “sem sal” de todas, pois não tinha o romantismo do centro, nem a agitação do São Francisco. Era um marasmo só. Mas foi lá que aconteceu uma das melhores coisas da minha vida de MPT: fui arregimentado para trabalhar no gabinete da Dra. Virgínia, e foi um tempo maravilhoso, de muito aprendizado. Lembro também, com muita saudade, que foi nesse período que perdi as duas pessoas mais importantes da minha vida: minha mãe, em 2012 e meu pai, em 2014.
Tive o privilégio de trabalhar com Dra. Virgínia durante 10 anos e aí já adentramos no período da nova sede, está onde nos encontramos. Em 2016, por força de portaria fui obrigado a me lotar na SRSI, mas ainda entrei com requerimento, abri um PGEA pedindo para permanecer no gabinete, que foi indeferido. E como o tempo passa rápido: ano que vem já serão dez anos de SRSI, onde fui muito bem recebido e sinto orgulho dos amigos, com quem convivo diariamente e com quem aprendi muito desde que cheguei.
Então, hoje, bem mais velho, não sei se amadureci; contínuo idealista e ainda sonho com um mundo melhor, mais justo, fraterno e solidário. Sei que estou combatendo do lado certo, ombro a ombro com vocês, nessa instituição que luta em favor dos injustiçados, dos explorados, dos escravizados. Aquele mundo de paz que eu almejava antes, hoje sei que é uma utopia, que a “paz” pode ser até mesmo uma desculpa para acomodação, como dizem os poetas Carlos Paraná e Adauto Santos:
“Quem anda atrás de amor e paz não anda bem,
Porque na vida quem quer paz amor não tem.
Seja o que for, sou mais o amor, com paz ou sem,
Sei que é demais querer-se paz e amor também.
Já que se tem que sofrer, seja a dor só de amor,
Já que se tem que morrer, que se morra de amor,
Vou sempre amar, não vou levar a vida em vão,
Nem hei de ver endurecer meu coração,
Eu hei de ter ao invés de paz, inquietação
Houvesse paz não haveria esta canção.”
Então quando a pretensa paz nos acomoda, também nos fecha para o amor. Sem amor, não haveria luta por Justiça e talvez nós nem estivéssemos aqui, agora, com nossas inquietações e o nosso amor pelo nosso trabalho, pelos nossos amigos, irmãos e pelo nosso querido Ministério Público do Trabalho.
Muito obrigado!
Camilo Fernandes Leite – Técnico do MPU/Polícia Institucional (SSI)
